Not the same.
por: Sibele
- Já está na hora vegetal, levanta! - gritou e eu pus o travesseiro em cima da cabeça. é minha amiga de existência, está comigo desde sempre e o modo tão carinhoso que me trata juntamente com seus seus apelidos para mim, estão incluídos esse 'sempre'. Não somos amigas perfeitas e lindas que moram juntas em um duplex na parte mais rica de Londres, nem mesmo existe um fã clube de pessoas maníacas por nós, na escola. Definitivamente não somos populares, até porque até onde eu sei, não tem isso no meu querido colégio... Enfim, somos adolescentes normais.
- Não quero! - Falei com a boca grudada no colchão.
- O problema é todo seu. Temos um teatro de literatura para apresentar e você não vai arruinar minha peça, não mesmo.
- Eu te odeio
e quero que isso fique bem claro! - Falei firmemente após me sentar na cama.
- Desde que você faça esse teatro, pode sentir nojo de mim. Se arrume, rápido! Seu uniforme está em cima da cadeira do computador. - Carol se levantou indo em direção a porta e então parou. - Rápido! - Bateu-a com força.
- Bom humor mandou flores. - Falei baixo e fui me arrumar.
Dez minutos depois, desci as escadas e Carol me esperava sentada no sofá comendo os famosos biscoitos da minha mãe.
- Vamos? - Perguntei e ela se virou para mim.
- Não, vamos sentar e conversar, temos muito tempo. - Carol foi irônica e eu saí da casa. Ela estava insuportável, aliás, ela sempre ficava insuportável em dias de apresentações de teatro.
Logo Carol me alcançou e andamos em silêncio por um bom tempo. O caminho até a escola era relativamente longo e ás vezes isso era bom, como naquele dia. As árvores estavam balançando seus galhos, graciosamente, de uma forma que ninguém repararia, só Carol e eu.
O Sol estava dando sinais de existência, desfazendo um pouco do cinza no céu. Era realmente uma linda manhã.
- Me desculpe. - Carol disse, sem um pingo de arrependimento. Talvez eu realmente a irritasse com meus atrasos e irresponsabilidade, mas veja bem... Carol está sempre certa, sempre faz tudo o que tem que fazer, sempre está pronta para qualquer coisa, sempre tem razão nas discussões - sou um exemplo lindo e vivo disso -, nunca está de recuperação por tanto tem férias de verão perfeitamente intactas, e ainda sabe cozinhar. Eu, por outro lado, sou irresponsável, alienada, esquecida, não faço nada que não me dê pontos imediatos e sempre, mas sempre mesmo, fico na escola de verão, não importa o que eu faça, sempre acontece. Não é minha culpa se minha melhor amiga é uma obcecada por estudos e perfeição no geral.
- Tudo bem... - Entortei meus lábios em um sorriso e ela correspondeu-o.
- Eu te amo! - Carol me abraçou no meio da rua e então eu me lembrei de como é que eu amo minha melhor amiga obcecada por estudos.
- Eu também, mas estamos atrasadas, vai andar grudada em mim ou podemos deixar isso pra la?
- Você estraga meus bons momentos. - Revirou os olhos e me largou.
- Desculpe, mas temos uma peça para apresentar e te fazer voltar ao normal. - Sorri e continuamos o caminho. Não havia mais o que reparar, agora as árvores eram sempre avulsas e faziam parte de alguma propriedade, ou seja, podiam ser contadas nos dedos. Isso me irrita em Londres... Em alguns lugares você conta quilômetros para achar uma árvore.
Logo estávamos na escola, cheia como sempre. Carol me deixou para trás em alguns instantes, provavelmente indo fazer o cenário do teatro, ela podia ter falado , estou indo fazer o cenário, beijos, te amo e você é a melhor, linda!', mas não... Ela foi embora do nada. Enfim...
Eu tinha aula de bilogia, então fui até a respectiva sala e me sentei na ultima carteira, me esparramei entediada e esperei Sr. John começar a torturar os alunos com sua voz mansa e fala gay. Quando ele chegou eu mudei de posição e deitei minha cabeça sobre meus braços que estavam em cima da mesa. Não estava com um mínimo de disposição pra aguentar a aula, na verdade eu nunca estou, mas naquele dia era três vezes pior.
O sinal bateu e eu acordei. Pois é, aulas são um ótimo sonífero. Levantei-me da cadeira até cambaleando e abri minha mochila procurando a roupa da peça. Eu esqueci, esqueci o figurino da peça! A Carol ia me matar, eu podia sentir as mãos dela no meu pescoço. Corri até a recepção e comecei meu teatro pré-teatro:
- Alice? - Falei pensando nas piores coisas que podiam acontecer comigo, na vida. Deu certo, senti lágrimas quentes rolarem bochecha a fora.
- ? O que aconteceu? - Alice disse me pegando pelos braços e eu sorri por dentro.
- Minha mãe está passando muito mal e me ligou pedindo ajuda, mas eu tenho uma peça teatral agora, você pode me ajudar? Eu preciso sair, é urgente! - Falei chorando mais. Entrei no personagem.
- Claro, vai rápido e volta rápido! -Alice me deu acesso ao portão e eu limpei minhas lágrimas. Incrível como todo mundo me apressa nessa vida infeliz!
Corri como nunca na minha vida, cheguei em casa e abri a porta subitamente, subi as escadas como um cão esfomeado e abri a porta do meu quarto. Procurei o figurino, mais rápido ainda e achei-o. Sinceramente eu não sei como, porque o quarto estava um real chiqueiro. Saí de la parcialmente mais calma e desci as escadas ofegando, eu precisava de ar!
Logo quando eu ia saindo, minha mãe gritou alguma coisa.
- Aham! - Gritei e saí.
Quando cheguei na escola aconteceu o que eu já esperava, atrás de mim, berrando algumas coisas que eu nem entendia. Talvez porque ela estivesse berrando em francês.
Fomos até o cenário e eu sorri involuntariamente. Estava tudo realmente lindo, mas não era uma surpresa porque Carol é cricri demais para deixar alguma palha fora do lugar.
- Vamos , uma ultima ensaiada.
- Chame o elenco e talvez eu o faça.
- Lucas, Taylor e Nick, aqui, agora! - Carol ordenou como se fosse alguém na vida. Eu mereço.
- Certo... - Taylor respondeu doce como sempre. Tipo de pessoa calma que te da sono.
- Carol você precisa parar de ficar mandando e blá. - Nick veio com as mãos em seus grandes bolsos e jogando seu cabelos incrivelmente lisos, para o lado, em apenas um movimento leve com a cabeça. Já peguei, haha.
- Fala. - Kevin se encostou na parede e cruzou as pernas fazendo o mesmo com as pernas, de um jeito engraçado e maroto. Engraçado porque ele não era maroto.
- Ensaio. - Carol falou virando-se para eles e eu fiz careta atrás dela, mas ela - como sempre - usou seus olhos ocultos e percebeu, dando um pisão bem forte no meu pé.
- OUTCH! Calma ! - Falei dando pulos com um pé só e Nick riu de mim. E dai que ele estava rindo de mim? O sorriso dele era quase perfeito. Já peguei e não me canso de lembrar.
- Vamos logo. - Carol ordenou novamente e eu tive vontade de fazê-la engolir as palavras, mas limitei-me até a pensar. Sei lá né...
Ensaiamos três vezes mais rápido do que as vezes anteriores e então já estavam dando início a peça. Eu não estava nervosa, nem mesmo havia um frio na barriga, nada de embrulho no esago ou vontade de vomitar. Eu estava inexpressiva, totalmente concentrada na personagem, que por um acaso era fria e particularmente, uma tremenda vaca.
Logo a peça terminou e fomos bem aplaudidos. estava totalmente segura de si e não houve abalamento pelos aplausos excessivos, somente os agradecimentos de costume.
No final da aula Carol e eu, votamos para casa, juntas como de costume, nada emocionante, nada.
- Passa aqui daqui a pouco. - Falei.
- Não cansa de me amar não é? Passo sim. - Carol sorriu e eu ri ironicamente pelo primeiro comentário. Entramos em nossas respectivas casas, que por alguma força do destino, eram uma de frente para a outra.
- Mãe, o que tem para o jantar? - Gritei tirando minha blusa de frio enquanto subia a escada. Abri a porta do quarto e tive uma visão estranha.
- Oi.
- T-t-om? - Gaguejei legal.
- S-s-s-ibele? - Ele me imitou fazendo uns tiques com os olhos.
- ! - Pulei em cima dele. - , VOCÊ VOLTOU. QUER DIZER... VOCÊ... AH, , QUE SAUDADES! - Gritei enquanto sentia as primeiras lágrimas passarem pelo meu rosto.
- Calma, )! Estou aqui... - passou uma de suas mãos pelos meus cabelos.
- Você me deixou aqui, sozinha. - Funguei indignada.
- Na verdade, não. Eu te deixei sob os cuidados da Carol. - Disse orgulhoso.
- A Carol manda eu me fuder. Você me deixou com uma má pessoa. - Sai do abraço e limpei minhas lágrimas.
- Desculpe. Mas então, onde que ta a má tutora?
- Espera. - Caminhei até a janela do quarto, peguei algumas das muitas pedrinhas que haviam na caixinha de suprimentos do Pepís - meu peixinho - e atirei na janela do quarto da Carol.
Ela gritou um palavrão, ouvimos alguns barulhos de coisas caindo e então, finalmente ela apareceu na janela.
- ! JÁ FALEI PRA NÃO JOGAR PEDRAS NA MINHA JANELA. - Gritou nervosa e eu ri.
- Vem aqui, tenho uma surpresa pra você.
- Se não for uma janela nova, eu dispenso. - Falou com desdém.
- Você gosta mais da minha surpresa do que da sua janela. - Afirmei.
- Duvido. Prefiro minha janela a você. - Sorriu abertamente, me mostrando seus dentes extra brancos. Provavelmente alguma possessão por dentes perfeitos, surpresos?
- Você gosta mais da minha surpresa do que de mim.
- Ok, estou chegando.
Sai da janela e me sentei na cama, puxando para se sentar no meu colo. Ele sorriu e fez força para baixo.
- AAAI, filho da puta. , vou te socar, sai de cima de mim. - Falei rindo como uma hiena.
- Não, só quando retirar o 'filho da puta'. - Ameaçou.
- Filho da puta!
- ? - Carol estava encostada na moldura da porta.
- Carol? - se levantou e finalmente eu pude respirar. - Você está linda! - Carol sorriu, mas continuou parada. HEEEY...
- Você não disse que eu estou linda. - Fiz bico e me senti ridícula, mas e dai? Eu não sou linda mesmo, blé.
- Você está absolutamente linda, mas bem... Carol, você está absurdamente linda. - Ele falou meio deslumbrado. Ah fala sério.
- , eu senti sua falta. - Carol finalmente se moveu e abraçou-o, aparentemente, com toda sua força.
É um casinho do passado, agora quase tudo mudou, a não ser o fato de que eu, Beorlegui, seguro vela constantemente, haha.
- Erm, sem querer estragar esse momento, onde estão os outros garotos?
- Na sua sala de jantar. - sorriu.
- COMO ASSIM? , você me cansa até o que eu não tenho! - Disse e saí do quarto, quase voando sobre as escadas, parei de correr assim que Carol gritou algo, como ''Vai quebrar as pernas''. Pois é, tenho medo dela.
Continuei andando até a sala e parei alguns passos antes de ultrapassar a porta. Bem, , Poynter e , estavam entro daquela sala naquele instante e eu, bem... Eu provavelmente estava com cara de louca, ofegante e meu rosto devia estar vermelho feito sei lá o que. Virei para trás, entrei no primeiro corredor e fui até o espelho. Soltei o cabelo, arrumei a franja e concluí que o resto, só com plástica. Saí do meu cativeiro temporário, e fui para a sala de jantar.
- Oi gente? - Falei baixo na esperança de ninguém me escutar. Falhei, se é isso o que querem saber. virou o rosto lentamente, até encontrar o meu - que por um acaso era a única parte do meu corpo, dentro daquela cozinha -, eu sorri sem graça e ele se levantou. Ninguém mais parecia ter me visto, Dan, como o ótimo e lindo egoísta que é, não anunciou minha presença.
- ! Que saudade. - Me apertou em um abraço e eu senti meu rosto queimar. Passei os braços em volta de seu pescoço e afundei meu rosto na curva de seu pescoço. Vou confessar minha vontade de morder, cheirar e coisas mais, mas não vou fazer nada. Sim, sou covarde. - Como você tá? - Falou com a boca encostada no meu ouvido e eu arrepiei até onde não tem cabelos.
- Eu... Eu estava com saudades. Só. - Gaguejei brevemente e ele saiu do abraço.
é um cara mau.
- Sobreviveu sem mim, huh?
- Pois é. Quase uma prova de fogo. - Fui irônica e ele mordeu meu braço.
- AI! - Gritei e ele tapou minha boca.
Preciso dizer que foi tarde de mais e logo eu fui atacada por meus outros dois amigos?
foi tachado de energúmeno egoísta, demente do inferno e tarado. Tarado foi só pra não sair do padrão das várias qualidades - ou não - que , pode ter, eu, como boa santa e pura, não fui julgada, obrigada.
- Então , como foi Londres sem o McFly? - perguntou se achando.
- Foi como sempre, só que mais normal. - Apertei suas bochechas.
Estávamos todos reunidos na sala, minha mãe foi dormir e meu pai ainda não havia chegado.
- Você é uma informante chaaaa-ta. - Apertou minhas bochechas e balançou meu rosto. - E você, irmãzinha, sentiu minha falta? - largou minhas bochechas e olhou para Carol.
- Para ser sincera... Não. - Ela riu. - Mentira. Eu senti falta de você roncando, de acordar com a sua música, de dormir com os mesmos barulhos, de ter que dividir a TV com você... - Carol parou por alguns instantes. - Talvez não seja totalmente mentira. - Refletiu.
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